segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

 Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:

9º ENCONTRO

Por Walba Soares
Ator

No início de mais um encontro, vem o trabalho pré-expressivo para que os “jogos comecem”, para que iniciem com concentração e disposição. Tendo o cuidado sempre de “acordar o corpo” e alinhar a coluna respiratória.

A parte seguinte do encontro é o das cenas, tem sido um trabalho de execução cada vez mais exigente dentro do propósito a se alcançar. O que antes era desafiador aos poucos vai se tornando algo prazeroso e possível, com consciência e atitude. A cada encontro percebo uma melhora no desenvolver tais cenas, como “exercício e não de sofrimento, mas de um treinamento contínuo e constante, colaborando cada vez mais nessa presentificação, escuta, equilíbrio.

Como etapa seguinte o trabalho de improvisação cada vez mais enriquecedor. Nessa parte percebo que é preciso sempre um cuidado aos detalhes do jogo, tudo é importante, desde a instalação para a cena, como também a compreensão da ação, contracenação e coerência. Como proposta a ser realizada tem-se um atuante numa narrativa pelo “sim” e outro pelo “não”. Dentro do exercício de improvisação não há tempo para pensar ou construção de algo antes... Pois o jogo está em ver até onde vai o jogo, seguindo caminhos inusitados ou previsíveis.

O trabalho complementar seguinte entra um elemento novo ao sinal dado, “blábláblá”, com isso surge algo dialogado e hora “blábláblá”, isso dentro de uma lógica e pensamento rápido, o desafio é constante. O que não pode é  perder o controle do jogo mais sim entrar e estar no jogo o tempo todo....
Com todo esse trilhar, só percebo o quão essencial é esse trabalho, integrado e conjunto, visando esse treinamento permanente do atuante.

18.02.2021

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Por Deusa Sofia
Atriz

Cada vez mais estou atenta a minha voz e percebo com a prática do pilate e de funcional fora das atividades do grupo como a respiração é importante na execução dos movimentos: se não respiro adequadamente sinto as pernas pesarem, perco a força, erro e paro. Com certeza essa consciência é graças ao funcional cênico. É um trabalho que exige concentração, presença e controle e qualquer dispersão atrapalha o processo. Outra coisa percebi num exercício realizado no funcional cênico: a memória. Existem lugares no meu corpo, espaços onde a minha voz fica mais confortável e clara, mas em outros fica presa. E essa oscilação eu nunca tinha percebido, procurei durante o treino experimentar e me ouvir. Ainda não cheguei a esse lugar seguro mas percebo isso já é um ganho. E sei também que esse espaço está relacionado com memória e relaxamento, quando sinto tensões nos ombros e pescoço minha garganta se fecha. Recebo as orientações corretas,  claras, todas as dúvidas são sanadas mas é como se meu entendimento corporal e prático não acompanhasse a minha capacidade de assimilação mental do que me é explicado. 

Na segunda parte das nossas atividades novamente tivemos improvisos. É sempre um desafio escutar o outro e a si, sempre temos elementos complicadores mas eles são reveladores e perfeitos por isso. Improvisar é desafiador mas tem sido muito gostoso praticar, perceber e olhar o outro no jogo de contracenar.

 Fizemos um exercício de blá-blá-blá e manter uma história coerente e atento aos sons é realmente um malabarismo mental. É preciso muita aceitação. Foi preciso, no meu caso, não me bloquear ao trabalhar improviso com o diretor, que é sempre muito peculiar nas suas propostas, mas mesmo assim não foi tenso, foi difícil mas prazeroso. 

No mais, foi um encontro de rico de aprendizados, ganhos e pensamentos positivos sobre o futuro e nosso fazer.

18.02.2021

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Por Àllex Cruz
Ator

Como de praxe iniciamos o 9° encontro do Cênico Funcional com o um dos exercícios mais importantes, o de dar continuidade ao processo de consciência respiratória, e destaco dois exercícios passados pela Silmara Silva nesse dia, que permearam todo o meu caminho.

O de respira e jogar em assopro de contra a parede. Esse me trouxe um grande despertar através de sensações de esquentamento pelo corpo de uma vez, e isso me trouxe um grande gás para ao execução das cenas.

O outro foi o vocalize usando a letra “I", com objeto de estimulo e atenção através de algo muito “simples": jogar uma bola de Basquete para nossos companheires de cena, produzido um som que vem de uma vibração na nuca. Houve um momento desse exercício que a vibração da nuca veio com grande força, e foi muito bom pois pude sentir uma dilatação em minha laringe, de uma forma que ainda não tinha acontecido. Isso me ajudou bastante na execução dos vocalizes durante os fragmentos das cenas.
Foram esses dois exercícios que permearam todo o circuito das cenas, assim como também na cena extra onde foi trabalhado o improviso usando a “blablação”. Que exercício! Mesmo com suas dificuldades foi muito divertido fazê-lo e assisti-lo. O improviso por si só exige do atuante uma atenção dobrada pois acontece em tempo real, esse exige o triplo. Nele eu continuei a exercitar o que já vinha trabalhando durante essas cenas de improvisação, conectando com as práticas feitas no dia. O exercício do sopro que me trouxe o alerta e o exercício do jogo com a bola e vocalize que me trouxe as percepções de mim e o meu redor.

A cada Cênico Funcional eu venho encontrando uma forma de interligar um ao outro, vendo-os não como um dia de cada vez, mas sim dias que segue um fluxo nesse trabalho autoral.

18.02.2021



Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

 Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:


8º ENCONTRO

Por Walba Soares
Ator

Iniciando mais um encontro, ciente de que esse momento é único, e que cada instante exige-me cada vez mais, e como isso buscar me superar. O trabalho inicia-se com a preparação (pré-expressivo) antes de qualquer coisa. A busca pela presentificação é necessária em todo e qualquer trabalho, caso contrário se torna exercícios e um treinamento por fazer. Respirar é/em tudo.

O trato com o sentir, observar, “limpar-se” tem me mostrado o quanto trabalhoso é a busca pela conscientização e limpeza corpórea. Tudo parte de uma rigorosa autodisciplina. Primeira parte de exercícios que se integram a parte seguinte que são as cenas, em que se vive o “momento de guerra” assim como na cena, independente do que aconteça, dentro dos limites. Importante perceber e entender conscientemente, todo o processo, a sintonia com os colegas de cena, o esforço e a superação valem muito. Não fazer por que tem que fazer, mas é necessário, para que se possa avançar, evoluir e ir para a cena com tudo e com as “defesas” no propósito do êxito.

Terceira parte enquadra-se no trabalho de improvisação. Desafiador para mm, onde travo comigo mesmo, bloqueios de com fazer esse jogo de maneira coerente e precisa. Entender a improvisação a fundo requer um trabalho constante, ou não se avança. O jogo é num primeiro momento improvisar sem olhar para o(a) parceiro de cena, mediante a circunstância proposta de um diálogo, o que para mim é complexo o jogo e a contracenação. Num segundo momento do mesmo, olhando para o outro, isso me leva a buscar estratégias, o que não é fácil. Um jogo de muita escuta, entrega e concentração.

Resumo o trabalho do dia de grande valia, ao meu trabalho pessoal enquanto atuante em construção. Inteligência, coragem, sabedoria, discernimento, fé e alegria, são requisitos importantes nesse processo e luta constante.


04.02.2021

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Àllex Cruz
Ator

Apesar das dificuldades que rondam esse momento pandêmico que ainda seguimos, tivemos nosso segundo Cênico Funcional do ano, uma luta viva de continuar a trabalhar. Nesse dia começamos mais cedo , a partir de uma reunião na Casa da cultura, apresentando a nova gestão e esclarecendo alguma coisas, tudo isso fez parte desse Cênico Funcional, pois nos gerou conversas e reafirmações para nós mesmos sobre encarar nosso trabalho sempre.

Nesse novo encontro sigo exercitando minhas próprias limitações à não me limitarem. Continuo em estado de observação constante internas e externas, desde a entrada e o percurso do ar no meu corpo-mente até as execuções dos fragmentos da cenas, procurando vivenciar cada uma diante as diferenças sensações, respirações, os pensamentos que se passam durante a execução de cada um. Buscando cancelar o pensamento do porvir.

Esse porvir é algo muito recorrente em mim e que é difícil sair desse dessa ansiedade proporcionada por ele, e nos acaba levando a um local que é incerto. Porém, nunca é tarde para ir se percebendo e dando os primeiros pequenos passos para não deixar que isso  atrapalhe meu trabalho, um trabalho que é do momento assim como a vida.

As cenas extras vieram instigando mais ainda esses meus pensamentos pois foi improvisação, em momentos de improvisação eu acabo querendo organizar algo na minha mente, mesmo que eu não queira isso acontece inconscientemente. Entretanto, dessa vez eu pude simplesmente deixar que as coisas fluíssem a partir do seu acontecimento diante aquele momento. Olha e isso não foi nada fácil! Vejo como uma míni vitória que vai acontecendo por nossos caminhos. 

No fim do encontro compartilhei aos meus companheiros de trabalho dessas inquietações, e falei da minha nova relação com o silêncio que comecei a vivenciar nessas poucas semanas que iniciei uma nova jornada, a de morar sozinho mas não em solidão.

04.02.2021

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Por Deus Sofia
Atriz

As cenas funcionais de hoje foram mais simples na execução mas puxadas no desempenho. 

Senti dificuldade em executar o skip mas tenho orientações e sei que posso melhorar com o tempo.

Felizmente não passei mal e acho isso um ganho no desenvolvimento: acredito que a continuidade desse trabalho, o pilates e agora o treino funcional estão me trazendo essa estabilidade.

Na respiração já consigo identificar quando há oxigenação demais e quando isso me causa tonturas. Procurei em todos os exercícios respirar conscientemente e acredito que tenha sido essencial para não passar mal e conseguir pular corda por mais tempo. Identifiquei também meus músculos contraídos e pesados quando não respirava, e isso me fazia parar o movimento, na corda e no polichinelo e dificultar a orientação física. 

No segundo momento da nossa prática fomos para o improviso. Senti uma conexão imediata com meu parceiro de cena, desde olhar e acordar silenciosamente que seriamos a primeira dupla e no jogo em si, sem olhar pro rosto do outro e depois olhando nos olhos. A vontade de acumulada há dias fazer teatro me livrou de pensar muito sobre o improviso, simplesmente deixei acontecer. Procuro ter essa orientação que nos é dirigida em mente.

Procurei me controlar para não falar muito e escutar mais meu parceiro. Percebi que "esqueci" a respiração mas que essa consciência de alguma forma já tem momentos internalizados. Procurar respirar dentro do diálogo já é algo que eu busco. 

Assistir os colegas e comentar o desempenho também foi um exercício de aprendizado prazeroso. 

Foi um encontro prazeroso e de cura.

04.02.2021


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

  Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:

7º ENCONTRO

Por Deusa Sofia
Atriz

Nesse reencontro pós recesso percebi um cansaço maior e nem foi devido a estar parada por muitos dias, continuei minhas corridas (menos regulares) e o pilates mas claro, nada isso não supre a intensidade das cenas que fazemos. 

Logo no aquecimento respiratório do exercício fole, senti tonturas, uma oxigenação mais intensa, suei bastante. 

Destaco durante as cenas a execução do exercício com cinturão de explosão, ainda um desafio muito grande pra mim, pois exige muita forte no core e é justamente onde ainda estou fragil. Mas procurei não me condenar, ainda bem que posso ter essa consciência e trabalhar em cima disso. É uma honra, uma sorte e uma alegria ter orientações sinceras e especializadas para tal. 

Nas cenas extras foi proposto um exercício de relaxamento e meditação guiada. Me surpreendi como me entreguei tão rapidamente, durante a semana devido a problemas pessoais, tentei muitas vezes sem sucesso meditar, mas ali consegui relaxar e criar imagens relaxantes que eu sinto que ainda verei. 

Reencontrar os colegas na mesma energia e alegria foi um bálsamo de Esperança ❤️

21.01.2021

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Por Àllex Cruz
Ator

Um novo ano se inicia e as poucos voltamos ao trabalho, buscando foco, esperança, fé e derramando muito suor. As sensações de reencontro são sempre bem vindas e nos faz bem, foi assim que comecei o primeiro cênico funcional do ano, além da vontade de continuar o trabalho que, durante o recesso por me envolver mais com teoria acabei deixando um pouco de lado as práticas, porém ainda continuar no estudo da respiração, mesmo que de uma forma não muito diária.

O Trabalho na verdade se iniciou bem antes de chegar no local, durante o momento que acordei eu já estava me preparando, ou talvez no dia que o Adriano nos avisou do retorno? A vontade de estar ali suando, retornando essa lavação corpórea vocal através de cada uma das cenas me empolgou bastante. Não tive grandes dificuldades durante os exercícios das cenas, claro que na primeira cena sempre é um momento  de reconhecimento para que depois as coisas fluam.

Iniciei e levei todo o trabalho ainda exercitando o que a Silmara já havia nos passado no encontros anteriores, a concentração, consciência da respiração, as minha explosões involuntárias, entre outras coisas internas e externas que são de forte importância para esse processo.

Por fim a Silmara nos recebe no exercício extra fazendo um momento de encontro de mim comigo mesmo, através de um momento de meditação. Onde pude viver internamente sensações novas e totalmente irreconhecíveis para mim, completamente diferente das meditações que tento fazer por mim mesmo, em que no fim foram liberadoras.

Assim mais um ano se inicia para mim e o Coletivo, não sei se ainda é novo pois parece que tudo está voltando ou continuando, enfim, estou tentando não criar expectativas do porvir, algo bastante difícil para mim, mas tenho que viver o agora e continuar trabalhando.

21.01.2021

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Por Walba Soares
Ator

A experiência do retorno das atividades, depois de um recesso intenso, me impulsiona a entender mais o trabalho corpóreo-vocal com mais “escuta” e consciência. O Início parte de exercícios de ativação, reações e alinhamento com essa coluna respiratória de onde parte e colabora para o desenvolvimento do trabalho cênico-funcional. Essa respiração parte de um ponto que ativa demais área do corpo de forma a ser trabalhada (oxigenada) constantemente.

Como reação é a busca de destravar e fazer com essa respiração flua em cada parte com organicidade e compreensão de cada estímulo. Meu corpo precisa estar disponível para o trabalho, para que aja uma integração de cada momento e ação do treinamento.

Para a parte seguinte do trabalho das cenas, o desafio de poder passar cada uma das cinco etapas, se torna vantajoso, quando eu me conscientizo da dinâmica, funcionamento e economia de energia, para cada atividade executada. Um trabalho de escuta e concentração sempre, um movimento sem controle ou desorientado, pode levar reações inesperadas do organismo como um todo. Além da busca pela superação dos meus limites de maneira consciente e integral (corpo mente e espírito).

A etapa seguinte do trabalho proporciona uma reconecção comigo mesmo com a terra e o espaço. Um trabalho de muita sutileza e ativação do meu corpo. Partindo de um relaxamento e meditação guiada, que me faz ver uma luz (amarela) transcendente, que me guia o tempo todo, diante de imagens já vivenciadas. Enfim um reencontro de abastecimento de energia, equilíbrio e autoconhecimento.

21.01.2021

Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

 Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:

6º ENCONTRO

Por Àllex Cruz
Ator

O último Treinamento Cênico Funcional do ano de 2020 permeou em mim na continuidade de um reforço sobre as percepções internas e externas, como esses entendimentos nos ajuda a encontrar presentificação diante esse trabalho que não exige metade do atuante, sim uma completude. A descoberta de nossas fragilidades psicofísicas e que afetam o trabalho na cena foi um dos pontos importantes para esse treinamento, pois a cada encontro era o momento de acolher, entender para que nas próximas quintas-feiras fosssem superadas, mesmo que seja um pouco.

 Assim tem sido na minha luta pela consciência respiratória e das explosões e gasto de energias inconscientes. O primeiro momento do aquecimento de presentificação, foi algo necessário também para o meu eu pessoal diante a limpeza que cada exercício proporcionou.

Destaco o exercício com posição de saudação com a testa no colchonete, a sensação flutuante zerou o dia , era como se eu estivesse acabado de acordar depois de um longo descanso com visualizações de locais que eu não lembro, mas que estão em mim. Nós sabemos que a respiração é essencial para vida, mas ter consciência do que seja realmente respirar tudo vai para  dimensões grandiosas. 

Mas uma vez minhas explosões energéticas quase me sabotam na execução das cenas de cada ato do treinamento. Principalmente na escada onde foi de início três tentativas para tentar iniciar, logo depois por toque da Silmara Silva nossa condutora nesse trabalho, eu pude pausar e voltar a concentrar no que eu precisava trabalhar internamente para fazer o que me era proposto externamente. É muito complicado entender muitas coisas que estão em nosso ser.

Nada que envolve nosso trabalho como atuante da cena deve somente surgir do que está exposto externamente, é preciso um estado de jogo entre o que está visível e invisível no corpo mente, nesse encontro dinâmico e fluido que nos proporciona entender até mesmo o pode parecer simples, quando na verdade é bem mais profundo do que se pode imaginar,  como no exercício de Frescoboll e improviso onde foi dado mais um passo, e é assim que é o processo de aprendizagem, um passo de cada vez. 

O jogo entre o interior e o exterior é bem mais profundo do que se imagina e nada fácil, é nessa relação única que são criadas as “ações físicas”, nós atuantes temos que internalizar e entender de uma vez por todas que não se faz arte sem o que corresponde internamente. Porém, entender como tudo isso se forma em ações físicas é muito difícil, por esse motivo que é preciso muito estudo e prática. Na busca pelas ações físicas ou os sintomas dessas ações, eu senti uma força que veio de Mamãe Oxun provocada pela música, essa força levou-me ao caminho para fim e recomeço.

Ser artista é ser generoso, entregar-se profundamente, ter disciplina e trabalhar muito. Assim por fim quero agradecer a generosidade, dedicação e paciência da Silmara Silva como pessoa e atriz diante essa troca, minhas sensações são de muita Gratidão. Que continuemos trabalhando, Evoé!

10.12.2020

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Por Walba Soares
Ator

De início do processo, tudo parte de um controle, limpeza e conscientização da respiração, de forma que todo ação possa ser gerada de maneira fluente. Seguindo para um ponto de energia específico e levando a mesma para a parte tórax da coluna, isso me desperta e me desafia a procurar esse ponto. Esse eixo central ao longo do trabalho será delineado ao longo de todo o desenvolver do trabalho, com atenção e equilíbrio para o que virá pela frente. A proposta seguinte parte de um exercício “QUI”, que deverá ser executado numa postura “fetal”, testa tocando o chão, corpo inclinado e sobre as pernas e braços de lado e soltos, sempre sem tencionamentos dos membros. Partindo disso é feito e pronunciado repetidas vezes esse “QUI” de forma grave, levando a intenções, a um estado de limpeza, foco na respiração torácica, intensidade, variações, sentimentos... Enfim uma experiência incrível de possibilidades e transcendental desse corpo alinhada à respiração. Faz-me sentir múltiplas sensações à medida que era executado e perceber como esse som é transmitido e que vaza para todo o corpo, que projeta sensações, “subtextos”, etc. Indo para a execução das cenas depois da primeira parte, a sensação é de consciência, tranqüilidade e energia aflorada. O controle consciente dessa respiração é base para cada uma das “cenas” até o final do “espetáculo” com energia suficiente, sem esgotamento ou desgaste desnecessário. Chego à parte seguinte do processo cênico-funcional para etapa do jogo da improvisação, alinhado com o que foi trabalhado anteriormente, em que é proposto junto ao (frescobol) contar uma história a partir do tema sugerido sem deixar a bola cair, buscando possibilidades possíveis. Trabalho este que me exige concentração, limpeza da mente e estar presentificado. Um jogo que me permite contracenar mesmo sozinho em cena com o outro e comigo mesmo. Um trabalho sempre complexo lidar com o improviso, de estar em constante inquietação, em estado de desconforto e vigilância de si em cena. A última parte deste processo é a “dança pessoal” em que a proposta será desenvolver e criar ações físicas orgânicas. Meu caminho parte de me conectar ao espaço, me auto observando por dentro e deixando que o “mantra” dado como estímulo possa me preencher de forma que meu corpo entenda e transmita exteriormente. Num primeiro momento isso é confuso, me bloqueia até o ponto em que eu passo a fazer o corpo, o espaço, sentimentos se interligar. 
Descrevo como um trabalho desafiador, integral, que requer um estudo e aprofundamento, para poder apropriar-se disso de formar autêntica e verdadeira. GRATIDÃO!

10.12.2020

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Por Deusa Sofia
Atriz

Nesse sexto encontro me senti animada e disposta, com vontade de fazer e feliz em estar fazendo. Logo no início buscamos respirar e presentificar como sempre, buscando dessa vez, pensar na região torácica do corpo. 

Experimentamos o vocalise "ki" exercício na postura da criança do Yoga. Senti em algum momento que minha voz me hipnotizava, tanto o som quanto a vibração dentro da cabeça. Tudo ficou vermelho na minha visão, não consegui ouvir meus colegas e a voz parece que não saía de mim e sim do meu coração. Eu estava numa floresta, sozinha. Só notei quando terminei que durante o processo chorei e babei muito.

Fui mais feliz hoje no cumprimento das cenas mas me preocupei muito com a coluna me distraí em decorar os vocalises.
No exercício de fresco ball observei com atenção como fez Adriano e mesmo com pouca luz entendi de alguma forma como manter a bola ali. O improviso foi provocado pelos colegas e individual, o que tornou ainda mais desafiador e envolvente. É sempre bom ver o que sai do pensamento do outro em situações assim.

No momento final e de criação, a condução da criação de uma ação fisica foi proposto tendo como elemento gatilho um mantra. Na hora me lembrei do processo do prólogo do Sonata de Amores, não e busquei trabalhar algum arquétipo sem pensar muito, experimentando o que vinha. 

Me ocorreu rezar e ver o que essa oração me dizia no corpo. A oração foi "Assim na Terra como no céu", eu aceitei o que pudesse vir se fosse da vontade divina, mesmo que não viesse um corpo.

Quando fui instigada a pensar que seria minha apresentação final, um tremor aconteceu, veio da planta dos pés até a garganta. Eu queria entregar tudo. Mas foi complicado: quando eu ia, ia demais e a respiração ficava difícil e eu não entrava no apoio. 

Quando fui provocada a pensar na minha morte, eu me vi morrendo na minha última apresentação e foi lindo e triste. Mas era como se fosse certo e eu não me senti sozinha, como na prática do vocalise do início (ki). Vizualizei pessoas me esperando, me apoiando...

 Eu senti alegria, porque apesar de triste era bonito morrer assim. 


Tive dificuldade em fixar os movimentos da partitura e cada um deles estavam me levando pra um lugar emocional diferente sempre que surgiam.

Sinto um tremor no corpo todo até agora.

10.12.2020

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Por Luciano Melo
Ator

INTEGRALIDADE – uma meta do artista. E para o artista de teatro é fundamental para o trabalho performático. Corpo, voz, emoções, mente, tudo integrado para a expressão performática do ator. O ator é a materialidade de sua criação. A criação está na totalidade de si que se expõe aos expectadores.

Os trabalhos educativos para o desenvolvimento da arte do ator podem ser sintetizados na expressividade integral.

Primeiramente, os exercícios de respiração e plenificação do corpo. O foco de energia e respiração concentrado na região torácica da coluna. A partir disso, o corpo todo se rearranjava: o apoio do abdômen para o equilíbrio, o relaxamento dos braços, as pernas apoiadas e sustentando um corpo em estado de prontidão para as ações, a atenção redobrada, tudo em estado a serviço da criação.

Exercícios de alongamento associados com uma respiração que ampliam as possibilidade do todo físico, emocional e espiritual do atuante. Uma sensação de plenitude vivificante: tudo na minha integralidade vivo e disponível para os exercícios propostos. E, ao mesmo tempo, uma consciência que observa, corrige e grava em alguma modalidade de memória tudo o que está sendo vivido. A arte do ator como uma experimentação plena consigo voltada para a expressão que comunica aos outros.

Depois, os exercícios de energia, equilíbrio, extensão corpóreo-vocal... Tudo sob a consciência vivencial do atuante. Este coordena os três atos de exercícios corpóreo-respiratórios (os atos organizam cinco modalidade de exercícios feitos em sequência). A consciência vivencial do atuante amplia a intensidade, estimula a respiração, explora suas possibilidades de equilíbrio, exercita a atenção, disponibiliza-se para ampliar as possibilidades corpóreo-respiratórias.

Um atuante precisa de um corpo forte (resistência aeróbica, potência energética, respiração instauradora do equilíbrio entre resistência e potência). Como uma partitura de um espetáculo, o atuante necessita de resistência para sustentar com vivacidade e verdades todo um espetáculo. Do mesmo modo, precisa empregar sua potência energética para vivenciar momentos mais fortes do espetáculo. E, em todo o decorrer do espetáculo, precisa conduzir seu trabalho como um maestro – a respiração garante equilíbrio e atenção inspiradores.

O exercício de improvisação com a raquete e bola. A bola estimula o trabalho de improvisação. Um tema é dado pelo colega e ao envolver-se com a raquete e a bola, o atuante é provocado a criar. Uma criação pela entrega e envolvimento. Uma atenção intuitiva que amplia à medida que a dedicação do ator é ampliada. Basta fazer pela entrega integral.

Por fim, a exploração das ações físicas. Sob o estímulo de um mantra, os atuantes foram estimulados a criar uma partitura integrada de quatro ações físicas. Ouvir o mantra. Sentir o espaço, sua respiração, as pernas e seus apoios sobre o chão, a noite que nos abraça e o mantra estimulando o ato de criar. Sem pressa. Sem querer resolver racionalmente. Apenas a integralidade do ator em ação. Ação física precisa expressar uma vontade interior (não se confunde ação física com movimento ou um simples gesto). É uma célula de expressão criativa do ator que comunica.

Assim, uma intencionalidade interior vai sendo construída pouco a pouco em integração com o mantra, as explorações corporais, a respiração, as emoções... um primeiro rabisco de ação física... exploração desse germe de criação... tudo se integrando... daquela ação parte-se para outra... percebe-se suas possibilidades... vive-se plenamente... mais outra ação... o corpo já está em outro estado... a respiração também... uma partitura de emoções e intenções vão tomando conta do trabalho... o todo do ator vai se transformando pelo envolvimento com as ações físicas em estruturação... sugestão de “contenção”... “desafie-se a explorar o espaço”... “doe para a plateia”... essas orientações externas vão, pouco a pouco, sendo incorporados ao trabalho... as ações físicas vão se tornando orgânicas e plenas para o ator que experimenta e cria...

A integralidade do ator é a chave.

10.12.2020

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Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

 Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:


5° ENCONTRO

Por Walba Soares
Ator

Neste encontro, parto do princípio cerne do trabalho que é a respiração, a base para que o trabalho possa fluir de forma orgânica e potente. Os exercícios me fazem sentir bem e me fazem buscar uma consciência de como uso meu material cênico (corpo) com o trabalho a ser desenvolvido de limpeza e consciência sobre essa “coluna respiratória”.

No decorrer do processo surge a questão de como me avalio e os diagnósticos sobre o trabalho cênico-funcional segundo minhas particularidades. O que até então percebo o quanto é importante usar bem o trabalho respiratório nas diversas possibilidades não somente na cena, mas também no cotidiano, tendo em vista que esse treinamento possibilita usá-lo em diferentes circunstâncias da vida. Uma busca constante de vigilância, consciência e atenção das minhas fragilidades. Entendo e vejo que minha respiração quando não é trabalhada de forma controlada (ar que entra e sai), consciente, o fluxo respiratório de inspirar e expirar se torna desproporcional diante do processo. Daí é necessário ver como meu cérebro “pensa e ver” mediante esse organismo em busca da complexidade de aperfeiçoar o trabalho cênico e entender meu organismo vivo.

A improvisação me conduz a passos que até então achava que não pisaria por conta das barreiras sempre imposta por mim mesmo. E quando isso tem que ser feito em forma de jogo (frescobol) e simultâneo ao texto, corpo e voz, isso me leva a explorar campos de atenção, quem me desafia o tempo todo, como forma de auto investigação de si mesmo e exploração no campo da contracenação com o outro, o que me liberta e me instiga.

O trocar com o outro é sempre um novo desafio a ser explorado de maneira respeitosa e mútua, no desenrolar do processo. A troca e interação com o outro me leva a entender o quão importante é o presente, o aqui e o agora. A ação a favor da autonomia, a escuta atenta e o a busca constante pela maturidade estética.

03.12.2020

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Por Deusa Sofia
Atriz

Iniciamos a atividade procurando equilibrar e presentificar por meio da respiração. Percebi minha respiração pesada e curta afetada por acontecimentos recentes que exigem aceitação. 

Cada um compartilhou um parecer sobre o processo nesse quinto encontro de cênico funcional, eu procurei resumir em três  palavras: consciência, entendimento e prática. Tenho tentado buscar entender essa prática de forma consciente. É um processo. E todo processo tem seus altos e baixos. Hoje foi um dia de "baixos": logo na primeira cena semti fisgadas no pé esquerdo e na segunda cena senti uma forte vertigem e não pude concluir a atividade com os companheiros. Isso me incomodou bastante e foi justamente por conta do ponto central desse cênico funcional: uma falha na respiração. 

No improviso outro diagnóstico: não encontrei o ponto de prolongamento com o fresco ball, e é pratica mas também é principalmente, entendimento. 

No momento de dança pessoal, provocada pela minha frase, procurei trabalhar as sensações e cenários em mim mas tive uma real conexão com meu companheiro de cena, Állex Cruz, somente quando olhei bem pra ele nos olhos. 

Todos esses obstáculos são e devem ser um alimento para descobrir e melhorar e não bloquear. Uma sensação de gratidão pelas orientações e paciência ficou muito forte em mim hoje. Me senti com muita sorte pela oportunidade que o universo me deu de estar com meus companheiros de trabalho ali, mesmo depois de tudo.

03.12.2020

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Por Àllex Cruz
Ator

Entender que o trabalho de busca por uma consciência do seu psicofísico como um todo (mente/corpo/respiração/espírito) é uma tarefa diária nada fácil, que dever ser entendida, internalizada e praticada, é algo que o atuante não pode fugir.

As perguntas provocadoras e também  como feedback,  foi o marco para o início do nosso quinto encontro, elas nortearam todo o trabalho do dia, assim foi como chegou à mim. Por isso procurei centrar todo o trabalho interno e externo nessas revelações, pois sabendo do problema fica menos difícil cuidar.

Esse foi de certa forma o funcional cênico em que eu mais ativei o modo da autovigilância, indo de encontro sempre com o controle de minhas explosões corpóreas para assim economizar energia dentro da execução de todas as cenas. Claro que de início nada se organiza por uma vez, mas é importante dá o primeiro passo, e esse será um dos meus trabalhos fixos para os outros encontros que virão pela frente e claro em meu cotidiano.

O exercício extra com o frescoboll ou “frescocena”(palavra usada pela atriz Deusa Sofia) eu pude ir de encontro com o entendimento dessa extensão do meu corpo que é a raquete e a bola, assim tive um ganho com a perda da tensão no ombro. Não consegui avançar segundo o que foi proposto, infelizmente, porém isso não me afeta de uma forma negativa, pois eu tenho consciência de que tudo é um processo e eu tenho que fazer minha parte para que esse processo continue gerando e ampliando.
O último trabalho em dupla para criação de partituras através da improvisação tendo como mote uma frase, me atentou sobre as leituras que podemos ter diante o trabalho dos nossos companheiros de cena, e que as trocas vividas no jogo são como o teatro, únicas. A frase que me ficou nesse trabalho foi: O Improviso é o jogo do agora.

03.12.2020

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:


4° ENCONTRO

Por Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes

Funcional cênico (Uma viagem em busca da lavratura corpóreo-vocal)

                 Nos princípios norteadores do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes, especificamente do trabalho do atuante sobre si mesmo, encontramos uma série de competências e atitudes a serem conquistadas por atrizes, atores e performers que desenvolvem atividades artísticas no grupo, entre elas, estão em destaque as duas primeiras “Séries de Princípios Norteadores” do trabalho do grupo,  abaixo discriminados:

1ª Série Princípios Norteadores - Concentração das Forças Criativas:

Aceitação

Aguçamento Sensorial

Atordoamento

Corporificação da Mensagem (ator-verbo)

2ª Série Princípios Norteadores – Bailado do Atuante:

Trabalho de Lavratura Corpóreo Vocal

Trabalho Sobre a Equalização Espaço Temporal

Trabalho Sobre o Foco do Atuante e do Espectador

Trabalho Sobre o Ritmo

                 O treinamento “Cênico Funcional”, criado e desenvolvido pela atriz e educadora cênica Silmara Silva, propõe-se a ser mais uma ferramenta a disposição dos atores e atrizes que desenvolvem sua atividade nesse grupo criativo, no sentido de alcançarem padrões satisfatórios em aspectos fundamentais na construção de atuantes de alta-performance.  

                 Dessa forma, na figura de diretor-pedagogo do Coletivo, tenho acompanhado o desenvolvimento teórico dessa ação formativa, bem como, realizado na prática os encontros formativos orientados por Silmara Silva. Gostaria de ressaltar alguns dos incontáveis benefícios do “Cênico Funcional” enfatizando, mais uma vez, que essa pesquisa-experimento se configura como um passo importante na formatação metodológica de pontos essenciais que compõem os “Princípios Norteadores do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes”:

Respiração: 

         Exercícios respiratórios diversos, foram aplicados em todos encontros, estimulando e conscientizando os atuantes sobre a importância capital do domínio desse instrumento fundamental que é a consciência e domínio dos processos respiratórios, como também, fortalecimento do cardio respiratório, no sentido de afirmar e potencializar presenças cênicas, elevando exponencialmente o autoconhecimento, proporcionando o alicerce necessário para posterior domínio e manipulação energética utilizando a respiração como fator estruturante.

        Através do trabalho sobre a respiração que, é a base de todo treinamento “Cênico Funcional”, os atuantes alcançarão bases sólidas para novas conquistas.

Flexibilidade:

           Os exercícios de flexibilidade corpóreo-vocal são outra viga mestra da pesquisa-experimento desenvolvida por Silmara. Alongar a musculatura dos membros inferiores e posteriores, trabalhar a flexibilização da coluna e fortalecer as possibilidades vocais partindo da experiência do corpo, permitem ao atuante a ampliação e o destravamento das forças mentais, já que, a rigidez psicofísica prejudica estados satisfatórios da performance, ao contrário da flexibilidade que proporciona frescor e vida a atuação.  

Potência, velocidade, coordenação motora e precisão:

         No treinamento cênico funcional existem “circuitos” de exercícios corpóreo-vocais, que acontecem na segunda etapa do encontro, os “circuitos” ou “cenas” na linguagem da pesquisadora, estimulam o atuante o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao desenvolvimento de potência muscular (incluindo os músculos responsáveis pela fonação), velocidade na realização de ações físicas, ampliação de possibilidades motoras e aquisição da precisão de movimentos. 

         Essa fase do treinamento exige do atuante resistência a fadiga, domínio das potências energéticas estudadas na primeira fase do treinamento, ou seja, o uso consciente da respiração, disciplina na realização de tarefas concretas e, outras questões pertinentes, a um futuro processo criativo frutificador. 

         As “Cenas (circuitos)” além dos benefícios citados anteriormente, possibilitam e potencializam uma espécie de “limpeza” no corpo dos participantes, retirando espasmos musculares e eliminando resistências corpóreos-vocais desnecessárias.

        Toda gama de exercícios e trabalhos dessa fase do “Cênico Funcional”, devem ser realizadas com um empenho de concentração, fator imprescindível no desenvolvimento das estratégias que facilitarão a execução das “cenas”, como também, uma das metas primordiais dessa fase é acrescentar uma consciência psicofísica progressiva.

Equilíbrio, ritmo, foco, exploração e compreensão espacial:

         Alguns exercícios especiais compõem a última fase do treinamento “Cênico Funcional”, tais exercícios visam desenvolver habilidades importantes no atuante. 

         Atividades diversas utilizando disco de equilíbrio, raquetes e bolas estimulam a busca ativa no desenvolvimento de competências que envolvem equilíbrio, ritmo e foco. Outras atividades e dinâmicas, envolvendo o domínio e exploração espacial, são propostas as atrizes, atores e performers no intuito da descoberta e superação de suas dificuldades na perfeita apropriação do espaço-tempo.

A dança pessoal:

         A última fase dessa ação formativa propõe o investimento dos participantes na conquista das ações físicas. Nesse momento, através de estímulos e desafios cênicos, exige-se dos atuantes uma vontade dinamizada. Conceitos como atordoamento e corporificação da mensagem, deverão ser traduzidos em partituras de ações físicas. Possibilitando o domínio espaço-temporal, dilatação corpóreo-vocal, estados vibráteis e demais potências exigidas no fenômeno teatral.

        O “Treinamento Cênico Funcional”, juntamente com a oficina “Autonomia e Criatividade” coordenada pelo ator Luciano Melo, assumem novos protagonismos nas ações formativas desenvolvida internamente pelo Coletivo Piauhy Estúdios das Artes, o objetivo é formatar atitudes metodológicas que possam, além de potencializar os membros do grupo, servir de fundamentação para oficinas e cursos de curta e média duração oferecidos a comunidade artística em geral pelos membros do Coletivo. 

26/11/2020

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Por Luciano Melo
Ator

O que atuante tem a sua disposição para atuar? A sua totalidade que reúne corpo, respiração, emoções, memórias, saberes, capacidades cognitivas e espirituais, além de outras possibilidades desconhecidas. 
Se temos ao nosso dispor essa totalidade, precisamos estimulá-la a fim de aprimorar nossas potencialidades expressivas. O atuante é um artista; seu papel é expressar um mundo imaginário. Para tanto, precisa engajar a totalidade do seu eu para a expressão artística.

Falo sobre isso, pois, ao final de nosso trabalho de ontem, mais uma vez, experimentei no meu todo o quanto os trabalhos corporais e respiratórios contribuem com a harmonização de minha totalidade expressiva (incluindo as memórias, saberes, cognição, a espiritualidade e o inefável humano).

De início, alongamos e respiramos. Podíamos empregar um hífen e criar o verbo da ação alongar-respirar. São duas ações que se combinam com a totalidade corporal. Com o corpo alongado ampliamos a respiração; por meio do respirar acordamos músculos do corpo. E foi um deslumbramento sentir esse corpo respirar-alongar: sentíamos a expansão da totalidade corporal.

Houve uma orientação: inspirar e expirar somente pelo nariz. Essa meta reestruturou o corpo e fomos desafiados a perceber o todo corpo agindo de modo diferente. Não se trata de uma consciência corporal se a entendemos como um processo racional. Antes, via como uma exploração de outros modos do existir corporal (respiração-corpo) que levava-me a descontruir intuitivamente certos hábitos respiratórios e posturas corporais.

Para construir um artista necessita desconstruir.

O grupo passou para os três atos de exercícios que trabalham respiração-energia-resistência-concentração-totalidade do ser. Além de experimentar os limites do corpo, trabalhei a articulação entre respirar, emitir sons, movimentar-se, equilibrar-se e o sentido pleno de exploração da totalidade do atuante. O equilíbrio entre a iminência da exaustão, os movimentos que precisavam ser executados, a produção de sons e a concentração do atuante (não podia desligar de mim e de tudo que estava sendo feito): tudo estava em jogo. Eu jogava simultaneamente com esses desafios (além de tocar no inefável mágico de mim).

Depois, o exercício de improvisação sobre um objeto que provocava o desequilíbrio do atuante (prancha de equilíbrio). Interagir com o desequilíbrio e criar. Eu e a prancha interagíamos e surgia sensações, textos e emoções. Construir-desconstruir-construir. Eu brincava com aqueles estímulos, brincava com o ato de equilibrar-se/desequilibrar-se, interagia com a plateia (meus companheiros de cena dispostos num círculo), brincava com a imaginação da criação de atuante.

Esse brincar é próprio do atuante. Ele joga com suas imagens e maneiras suas de criar. A criatividade do atuante, por um lado, é como a imaginação de uma criança ao brincar: entrega-se com toda sua imaginação criativa ao propósito de brincar. Só isso importa: brincar por meio dos usos de tudo que se encontra a sua volta pela regência de sua imaginação.

Por fim, trabalhamos um texto passado por nossa educadora. O meu era: “não costumo bater em pessoas mais velhas do que eu, mas você é mal-educada e boca suja” (não lembro bem). A ideia era criar movimentos integrais em sintonia com o texto emitido. Já não lembrava que era um exercício. Já não tinha como primeiro plano de consciência que era um jogo proposto para explorar a criação. Apenas buscava integrar texto falado por mim mesmo – minha respiração – gestos/movimentos – estar e interagir com o espaço de criação (a árvore, os arbustos, a pedra rugosa de Castelo do Piauí que calça o pátio, a noite, o ar à minha volta, meus colegas em criação, a voz da educadora...) – explorar o inefável em mim...

Habitava em mim uma emoção de desilusão e abandono. No momento não racionalizei tampouco imaginei, mas, parece-me agora, ao escrever as memórias dos exercícios criativos, que uma emoção de um filho que falava com uma mãe desalmada e desamorosa movimentava-me. Sentia abandono e desprezo. Se, no início do exercício, buscava “bater”, à medida que esse abandono e desprezo se instalava, sentia-me só, desprotegido, pequenininho... 

Assim, repito: “precisa engajar a totalidade do seu eu para a expressão artística”.

26.11.2020

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Por Deusa Sofia
Atriz

Comecei a atividade um pouco desconcentrada e sentindo a respiração agitada. O exercício de olhos vendados deixou isso ainda mais flagrante. Procurei visualizar a frase escrita dentro dos meus olhos, como em um quadro, mas nem isso funcionou. 

A sugestão da condução era inspirar e expirar pelo nariz direcionando essa respiração para alguma parte do corpo, pensando esse lugar. 

Concentrei no abdômen mas senti a respiração muito no rosto e no topo da cabeça, dentro das vias das narinas. Me lembrou a respiração que tenho quando estou com muito sono, muito relaxante e sem peso na garganta. 

Senti muito impacto no exercício do cinturão de força que me levou a sentir que coloquei muita força, senti um pouco de vertigem alguns momentos e procurei me concentrei ainda mais em respirar e na postura. O corpo arrepiou. Fui ao limite. Os outros exercícios de  equilíbrio e vocalizes (retundantemente)  me equilibraram. 

Na etapa com o disco de equilíbrio, senti muita vontade de fazer e senti a vontade de todos participarem e isso pra mim foi essencial pra ser divertido e investigativo: todos provocaram e foram provocados de alguma forma. Foi natural disputar com Walba meu local no disco, nem pensei. 

Um pouco antes do início propriamente dito das cenas, recebemos frases para decorar. A minha me atingiu em cheio. Procurei trabalhar no exercício de dança pessoal e partitura (que dessa vez foi realizado sem música). Imaginei um confessionário primeiramente mas o lugar não me disse nada e sim o desconforto nas costas e peito, dentro de mim. 

Me emocionei muito porque a medida que fui falando o texto fui associando a um episódio chato vivido hoje. 

A respiração inspirada e expirada me ajudou a chegar mais facilmente nessa sensação, até chorei. Mas não senti a garganta fechar como da outra vez. 

Procurei me alimentar das cenas dos colegas. Na minha vez o momento de emoção maior já havia passado então repeti o que tinha criado mas algo não ficou fixo. 

Finalizei leve e sentindo a voz um pouco na cabeça, sem dor na garganta ou no corpo, apenas o cansaço pelo esforço físico extremo.

26.11.2020

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Por Àllex Cruz
Ator

A busca por uma consciência respiratória entendendo-se quanto um corpo respiratório, no sentido de que a respiração pode chegar em diversas partes do corpo, e ter consciência de cada local que ela chegue, é um trabalho diário e não é fácil pois também trata-se de entender seu corpo e seus funcionamentos básicos.

Nesse 4 dia de treinamento pre-expressivo/expressivo a partir do comando de respirar somente pelas vias nasais, de uma forma consciente durante o aquecimento pude sentir o caminho da respiração até onde eu mentalizo que seja sua chegada, a partir disso procurei exercitar durante todas as cenas, e me ajudou bastante nos exercícios, principalmente na escada onde o principal ponto era o equilíbrio e a fala do texto, me trouxe uma limpeza e fluidez nas minhas vias nasais, diferente de como eu cheguei que estava uma pouco congestionada.

Ainda nesse primeiro momento, o exercício de estar vendados me fez pensar nessa perda de audição que nosso cotidiano nos trás, e nós como artistas da cena não podemos ser manipulados por essa falta de escuta.

Percebi que o encontro do equilíbrio da voz no desequilíbrio é de extrema importância para o atuante. Onde de início acabei indo para o caminho errado em cima do “disco de equilíbrio”, no inverso de ficar no desequilíbrio eu ficava no lugar de equilibrar. Acabei acessando ao meu pessoal, no sentido do processo da busca por equilíbrio. Entretanto, no decorrer do trabalho eu fui entendendo.

No último momento na criação de partituras a partir do texto pré-estabelecido, eu aprendi que não posso deixar um caminho por inacabado quando se trata de criação, e seguir outro sem explorar aquele que já havia encontrado, “vá até o final Àllex”.

26.11.2020

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Por Walba Soares
Ator

A troca deste encontro teve como proposta inicial e ponto de partida a respiração pelo nariz, que até então estava sendo trabalhado pela boca. Um tanto diferente pensando nessa energia da respiração e sua circulação nesse corpo vivo. Como o ar entra e sai, de forma a oxigenar e preencher todo organismo focado num ponto em algum lugar, numa respiração focada e direcionada.

Os exercícios de respiração me conduzem a uma consciência corporal, limpeza deste corpo, de forma consciente e muito viva. A funcionalidade em tudo que se for fazer parte desse princípio básico, trabalhar isso é o grande desafio do atuante, com isso a investigação constante de aspectos importantes para o atuante (concentração, memória, imaginação, etc)

O trabalho pré-expressivo colabora muito para a execução satisfatória das “cenas” seguintes de forma que se tornam tudo muito ligado e integrado, com profunda atenção e escuta dessa “coluna respiratória”. O esforço se torna menos, quando trabalhado de forma consciente e equilibrado, partindo sempre dessa respiração regular e de como se produz os sons que auxilia e usando a estética a favor do trabalho a ser executado.

Partindo para o exercício do disco, como manter-me em “desequilíbrio” em “equilíbrio”, juntamente com a voz e o texto externalizado, uma mescla de atividades potentes, que revela com naturalidade as potencialidades do jogo. Um desequilíbrio que gera sensações de não desconforto, mas um contraponto do jogo possível e imprevisível, desde que feito de maneira presentificada e espontânea. Contracenar com os colegas gera possibilidades de partituras e organicidades para o jogo de cena. A improvisação é elemento norteador, que possibilita construir múltiplas maneiras de extrair além da cena e extensões do corpo que é alimentado pela troca constante e a escuta viva, mediante o trabalho coletivo e ativo.

A construção de cenas partindo do texto, de dentro para fora, se fortalece de maneira viva quando me permito sentir e desconstruir o óbvio.  Como meu corpo gera o texto de maneira orgânica, minha mente esvazia-se para uma concentração eficiente. Satisfação e Sensibilidade são palavras chaves para minha experiência desta troca e desenvolvimento constante no trabalho para o exercício da cena.

26.11.2020

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Cênico Funcional (treinamento para higiene do corpo voz)

 Após o treinamento os Atuantes são convidados a produzir um texto reverberando todas as sensações acolhidas. Segue abaixo:


3° ENCONTRO

Por Luciano Melo
Ator

A necessidade de respirar. Respirar em harmonia com o corpo. Não uma respiração como dispositivo unicamente da vontade, mas como parte integrante da totalidade corpo-emoções-imaginação. Num certo momento do trabalho de hoje, a respiração estava em todo meu eu.

Desenvolver a respiração como algo natural e a serviço do atuante. No início, precisa observar (e ser observado pelo regente que orienta os exercícios), fazer correções, perceber as mudanças no seu todo a partir da respiração. Com o desenvolvimento dos exercícios, a respiração cresce em você como você cresce com a respiração.

Importante: não duvidar da potencialidade transformadora dos exercícios de respiração propostos. Entregue-se.

O condicionamento físico do ator. Este, entre outras coisas, garante base para a liberdade criativa do atuante. A expressão passa necessariamente por toda a integridade do ser ator. O corpo precisa estar disponível. As emoções devem estar livres e sem as travas do ressentimento, do medo, do ridículo ou dos traumas. A imaginação, uma das bases do atuante, também comunga com essa integridade do atuante.

O condicionamento físico deve constituir-se, assim, um projeto de aprimoramento do atuante. Quanto mais disponível corporalmente, menos as tensões memorizadas pelo corpo travam o campo das expressões do ator. Quanto mais o corpo se liberta, mais as atenções e interesses do ator se voltam para suas imagens, sensações e emoções.

Além de tudo, o condicionamento físico oferece segurança para os desafios do trabalho criativo do atuante.

Outro ponto fundamental: concentração. Esta significa atenção ao proposto. Também compreende observação de todo seu eu para o trabalho. Foco no trabalho, nos seus propósitos e nos colegas de cena. Quanto mais percebemos/sentimos esse processo de construção dos objetivos criativos, mais nos disponibilizamos para o jogo expressivo do teatro. Trabalhar mais e mais a disponibilidade para o trabalho criativo.

Assim, o atuante deve colocar-se à disposição: atenção aos exercícios propostos, entrega na execução dos exercícios, observação inspiradora para mudar todo o criar do atuante... Não se dedicar aos exercícios maquinalmente. Pelo contrário, para o trabalho de criação deve estar totalmente mobilizado.

Essa mobilização criativa é uma construção processual e progressiva. Basta dedicar-se ao trabalho individual e coletivo, além de partilhar com os colegas as descobertas e transformações do atuante criativo.

Essa harmonização integral entre concentração, imaginação, disponibilidade criativa, consciência, liberdade corporal, emocional e criativa é condição para o desenvolvimento maior do trabalho do atuante. Uma busca constante que transforma, pouco a pouco, o ator criador.

19.11.2020

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Por Deusa Sofia
Atriz

Apesar do clima frio, estava disposta. No primeiro momento da prática senti a respiração entrecortada principalmente nas posições de cabeça pra baixo, senti uma pressão na testa. Mas não era uma vertigem. Durante a dinâmica com a bola de basquete, a chegada no segundo elemento deu um sopro de intensidade maior na questão da concentração na contracenação: procurei respirar e ficar atenta aos elementos. Me peguei ficando de costas pros colegas na hora da movimentação. Na etapa seguinte aprendemos uma nova canção rapidamente e as novas formas de abordar corpo e voz no cênico funcional. Os pulsos foram realmente exigidos no momento da canção. Mais uma vez tive dificuldade no exercício que usa bastante o abdômen e os pesos mas percebi que sempre respirar antes do movimento ajudou a completar os movimentos. Deu pra aguentar mais. Senti vertigem no final das três cenas curiosamente no exercício que exigiu mais da respiração e equilíbrio. Na prática com frescoball tivemos um elemento novo de improvisação, depois da demonstração de Adriano e Silmara fiquei muito empolgada e quis logo participar. Procurei olhar os parceiros nos olhos e deixar vir o que fosse. Na hora da empolgação do improviso e gritei. No último momento da dança pessoal, vi algumas imagens que me lembraram minha infância e sensações de crescimento, algumas gargalhadas saíram e terminei a prática muito feliz. Com a garganta relaxada e os ombros também.

19.11.2020

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Állex Cruz
Ator

Mais um dia de treinamento onde podemos nos entender quanto corpo na cena, um trabalho de observação de si e entendendo o funcionamento desses corpo presente, disponível para o jogo com o ambiente, com o outro e todas as circunstâncias propostas.

O primeiro momento foi de sentir que entrava pronto para aquele treinamento, conectando e despertando meus sentidos indo de encontro com a concentração em mim e no todo. Uma das sensações que ficou bastante foi de sentir uma grande dilatação das minhas costelas, no momento da respiração com os quatro apoios que de início estranhei, porém foi algo que me provocou e foi bom.

Durante as cenas continuei buscando não perder o estado de concentração, em um outro âmbito de concentra-ação, onde é preciso estar concentrado para execução de cada cena, tendo consciência da respiração, de como aquele exercício chega em mim, a logística de cada exercício, ou seja, está em vigia de tudo que sinto naquele momento, e ao mesmo tempo que concentro faço a ação, mesmo que em alguns momentos aconteça de dispersar, é exatamente quando erro que retomo o estado de concentração em ação.

No exercício extra com o frescoboll eu senti ter encontrado um caminho internamente, utilizando o que estive exercitando e adquirindo durando a execução das cenas, infelizmente ainda tendo problemas com as tensões do braço, e o controle da força. Ao mesmo tempo com o improviso, mesmo tendo consciência que muitas vezes eu acabo indo pro pensar no que agir, exercitei minha mente em não formular algo no pensamento e simplesmente deixar que as coisas acontecessem diante o agora.

O momento que sinto onde tudo isso surge em forma de criação é na dança pessoal, durante o trabalho visualizei imagens de desenhos de uma diversidade de mãos com muitas cores e tamanhos, não entendi o motivo, mas acredito que  nem tudo é explicações e sim sensações. Assim, vejo a importância de internalizarmos as sensações que surgem no processo, entende-las e dissolver pelo corpo aquilo que me permite crescer.

19.11.2020

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Walba Soares
Ator

Começo enaltecendo o trabalho por completo, ligado e integrado, num processo de investigação. Entender que atos, ações e reações parte do consciente presentificado em tudo, desde a respiração ao estágio mais dilatado possível.  Sentir meu corpo junto dessa respiração agindo de maneira fluente, passando por todas as partes, me energizando e possibilitando variações de como usá-la, num jogo de contracenação com o lançar a bola ao outro, flexionar, caminhar.

Tudo parte de uma concentração, consciência e a respiração. Vejo que a prática e exercício desses elementos contribuem no trabalho do atuante de forma significativa. Seja na cena, seja no trabalho pré-expressivo é preciso autodisciplina.

Na execução das cenas do programa “cênico – funcional”, algumas percepções- sentidos, vozes, cores - ao trabalho interligado o tempo todo. Corpo, respiração, mente, funciona no trabalho de forma colaborativa e ativa, a exaustão faz parte do processo, mas é libertador.
O trabalho de improvisação me desafia o tempo todo, e de acordo como é trabalhado, vejo que isso dever ser um exercício recorrente, já que é importante no processo do atuante. O jogo exige muita concentração, escuta e também atenção ao movimento da bola (frescobol individual), ação e reação são necessárias na execução. Minha dificuldade surge na projeção da minha voz em oscilação e não equiparada a outro que está em cena comigo, além de uma escuta perceptível para manter um equilíbrio no jogo.

A partir daí surge a dança pessoal, quantas possibilidades além de sentir a música e fazer com que essa dança flua de dentro para fora. A busca por uma conexão aos elementos do espaço, ao estudo investigativo do eu, e me permitir ser levado, saindo da racionalização. É prazeroso poder se enxergar e se energizar, deixando meu corpo em estado vibrante, potente.

19.11.2020

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